Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo


 
Diletantes Trovadores


Um cara bacana

Wallace é um cara bacana. Nos altos de seus 62 anos, aparenta ter uns 60 mesmo. Sua pele escura esconde os sinais evidentes da idade; no entanto, a bebida não. A bebida delatava a vida de boêmio que aquele cidadão simpático passara.

O figura era o quinto dos seis filhos da Dona Cleonice. Seu pai era desconhecido, ao menos para ele. Antes mesmo de nascer, no norte de Minas, seu pai abandonara a família, para tentar ganhar a vida na cidade grande. Enfim, sem pai, Wallace aprendeu sozinho a ser homem. E Homem com H maiúsculo mesmo, daqueles que gingam, e vendem o almoço pra pagar o jantar (sem deixar de comer em ambas refeições), além de xavecar toda e qualquer criatura feminina que se mova.

É um cara esperto esse Wallace. Apesar de nome gringo, transpira em suas veias uma brasilidade ímpar: é um exímio compositor e intérprete. De seu surrado violão, destila canções de Noel Rosa e cia. Como poucos, atrai para si admiração e dó. Sim, apesar de seu reconhecido dom, seu aspecto Macunaíma de ser não era capaz de lhe dar muita credibilidade. Entre um clássico e outro da música popular brasileira, entornava um copo cheio de conhaque, daqueles de origem duvidosa. Quanto mais tomava, melhor fluía suas habilidades. Era uma espécie de motor à propulsão, e o álcool que lhe adentrava, fazia com que queimasse a mais terna das interpretações que Erasmo e Roberto Carlos poderiam fazer. Inacreditável.

Num dia desses inspirados, um Wallace lamurioso, relatou uma de suas passagens.
Rosilene foi uma de suas namoradas. Morreu aos 28 anos, na flor da idade, atropelada. Wallace a amara intensamente, no entanto, ela não aturava suas noites trópegas, perpassadas num dos bares de luzes avermelhadas que toda cidade possui. Se separaram quando ela ainda morava com os pais. Em três meses de separação, Rosilene encontrara um branquinho afortunado que se encantou com as curvas sinuosas daquela bela mulata. Pouco tempo depois, descobriu-se que Rosilene engravidara. Não se sabe de quem, se do riquinho babaca ou do nosso pobre herói. Wallace jura que Wesley era seu filho. Sim, Rosilene o batizara com tal nome. Em verdade, não se sabe, nem se saberá. E Wallace, terá que conviver com tal sentimento angustiante, que lhe atormenta às vezes.

Olhando os carros na rua, tragando uma pingua marvada, com seu violão em punhos, andava a esmo. Até parar novamente, e contar mais uma de suas histórias. Taí uma pessoa admirável que sem muito querer, cativa com magnetismo hercúleo, a atenção das mentes distraídas.

Escrito por Luiz Eugenio às 18h09
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]